INDÚSTRIAS ALIMENTÍCIAS LEAL SANTOS EM BUSCA DE CERTIFICAÇÃO PESQUEIRA

Publicação: 27/07/2018

  

 

 

 

As Indústrias Alimentícias Leal Santos, empresa do Grupo ACTEMSA, sediada em Rio Grande/RS, filiadas ao Sindicato Indústria da Pesca, Doces e Conservas Alimentícias do Rio Grande do Sul – SINDIPESCA RS, membro do Coletivo Nacional de Pesca e Aquicultura – Conepe, deram mais uma demonstração de responsabilidade com a atividade de pesca.

A empresa, que é membro da International Pole & Line Foundation (IPLF), possui desde o ano de 2010 os selos “Friend of the Sea”- certificado que atesta a sustentabilidade das pescarias e assegura que o pescado é capturado de forma responsável, em áreas onde não existe sobre pesca e sem danos ao meio ambiente, e “Dolphin save” - certificação que assegura que golfinhos não sejam capturados nem machucados na pescaria. Tais conquistas são uma garantia aos consumidores que a empresa está engajada na conservação e preservação dos recursos marinhos, pelo uso de método de pesca seletivos, com baixo impacto ambiental e cujos descartes se aproximam a zero.

 

 

Agora a empresa segue em busca de nova certificação junto ao Marine Stewardship Council (MSC), o que deverá coroar a postura empresarial que há muito tempo tem investido em pesquisas e alternativas sustentáveis à produção, com o uso de ferramentas de decisão que tem levado a redução do consumo de óleo diesel e da pegada de carbono.

 

A certificação MSC segue o preconizado no Código de Conduta para a Pesca Responsável da FAO, sendo a referência mais reconhecida no mundo em termos de sustentabilidade. Ela assegura que a pescaria é bem manejada e garante a sustentabilidade dos recursos para as futuras gerações. O selo azul da MSC não é só um documento, mas sim o reflexo de uma postura empresarial que o setor produtivo e toda a cadeia, assim como a sociedade e mercados devem parabenizar e promover.

 

A intenção é certificar a pescaria de bonito-listrado de vara e isca-viva no Atlântico Oeste realizada pelas seis embarcações pertencentes à empresa, cuja produção em 2017 chegou a 5.000  toneladas.

 

A avaliação da certificação, que teve início esse mês, será realizada pelo Bureau Veritas Certification Houlder e terá duração de pelo menos oito meses. Durante esse período serão levantados dados e informações visando verificar o atendimento aos requerimentos de certificação pesqueira da MSC. Ainda, e de forma complementar à auditoria final, será realizada nos dias 27 e 28, visita à sede da empresa em Rio Grande-RS, e em Brasília-DF nos dias 29 e 30 com todos os stakeholders envolvidos.

A imprensa espanhola deu grande destaque à iniciativa da empresa do Grupo Actemsa, noticiada pelos veículos El Correo Gallego, La Voz de Galicia, La Opinión e Faro de Vigo.

Diversas pescarias possuem essa certificação, como a pescaria de cerco bonito-listrado e albacora laje no Pacífico Oeste e Central, e a pescaria de espinhel de albacora branca e albacora laje na Polinésia Francesa. A iniciativa da Leal Santos é a primeira do Brasil.

Mais do que agregar valor, a empresa tem se adaptado à crescente demanda global por produtos pesqueiros sustentáveis, que implica na transparência e acompanhamento de toda a cadeia produtiva, da extração ao mercado consumidor, por meio da rastreabilidade dos produtos.

USO DE ISCAS ALTERNATIVAS

Além da Certificação, a Leal Santos vem desenvolvendo novos projetos como o uso de iscas alternativas sustentáveis.

Desde o ano de 2010 a empresa, em parceria com o Prof. Lauro Madureira da Universidade Federal do Rio Grande – FURG, tem realizados testes para avaliar a possibilidade do uso de anchoíta como isca para a pescaria de bonito-listrado, de modo a reduzir a pressão de pesca por um recurso já altamente explorado, a sardinha-verdadeira, e considerando a extensa biomassa estimada desse novo recurso, em torno de 800.000 toneladas.

Os dados de captura demonstram uma boa aceitação do bonito-listrado por essa isca; a produção que vinha demonstrando uma tendência de declínio até 2009, passou para um incremento a partir de 2010. Atualmente 80% da produção da empresa utiliza anchoíta como isca viva.

Na busca dessa nova fonte de insumo, a empresa também investiu em tecnologia para auxiliar na procura da isca. Com o auxílio do Prof. Lauro, foi empregado o uso da ferramenta Catsat que fornece informações como a temperatura superficial do mar (TSM), concentração de fitoplâncton, salinidade, correntes oceânicas, anomalias do fundo do mar, entre outros dados primários fundamentais para a tomada de decisão para aqueles que atuam nas pescarias de recursos pelágicos.

Com o uso dessa ferramenta, o tempo de procura das embarcações pela isca diminui, pois a frota é direcionada para o local onde há maior probabilidade da anchoíta ocorrer. Isso tem levado a uma redução de 30% no consumo de óleo diesel pelas embarcações.

Outra alternativa ao uso da sardinha vem sendo desenvolvido pelo Projeto Lambari, que visa o cultivo de lambaris em tanques em terra para abastecer as embarcações prévio ao cruzeiro de pesca, aumentando os dias efetivos de pescaria e reduzindo os gastos com combustível.

A reprodução é feita em laboratório, e o processo de larvicultura e engorda é feito em tanques. A fazenda de cultivo e berçário está localizada em Jaraguá-SC e a engorda em Barra Velha-SC.

Os testes de mar para verificar a aceitação pelo bonito-listrado dessa espécie, já foram realizados durante o último ano. Após ajustes, esse processo tem apresentado resultados positivos.

A proposta da Leal Santos é que a partir de novembro já haja uma produção em larga escala do lambari para utilização efetiva na pescaria do bonito listrado.

Com isto, serão utilizados dois tipos de isca viva, anchoíta e lambari. Ainda não se sabe a eficiência do lambari em comparação com a anchoíta, porém isso será analisado quando da utilização efetiva dessa isca.